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Iniciado em 1950 com as primeiras incursões de H.A. no “Mercado colecionista”; com a primeira fase construtiva cessada em 1959; a segunda em 1968; um período de “semi-adormecimento” balizado entre 1977 – logo após a morte do Fundador - e 2004; e um processo de reorganização museológica e museográfica, conservação, restauro, recuperação e reestruturação principiado a partir de 2004 e que perdura pela atualidade, para além da ambiência expositiva interna, na própria arquitetura, iconografia, envolvência e programa decorativo exterior, o Museu - edificado de raiz, ausente de autoria de planta arquitetónica e crescendo em salas e área de acordo com a compulsão e proliferação colecionista de H. A. (fixando o seu número final em 16 salas) - exprime, desde logo no primeiro contacto visual com o público, a sua singularidade. Ou seja, externamente, no seu Frontispício e área circundante, o Museu inicia a sua exibição “histórico-artística”.
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A Frontaria do Museu caracteriza-se e, de certo modo, afirma-se na paisagem do Parque envolvente pelo traçado conservador das suas linhas, sobriedade e harmonia da sua cromia e materiais. Em sintonia com o desejo, por parte de H. A., de evocação visual da Arte e valores do “Estado Novo” e da própria arquitetura tradicional local vigente nessa época, a Fachada do Museu combina três volumes avançados - um deles, central, de “Pé-direito” (altura) e largura superiores, reprodutivo de uma fachada de Capela, tipicamente lusa, dos anos (19)50 / (19)60 - com telhados de duas e quatro águas, interligados entre si por duas Arcadas (com múltiplos arcos de volta perfeita sob colunas de fuste liso e curvilíneo), ligeiramente recuadas, bastante peculiares e identitárias do Frontispício e arquitetura do MSML.

Do ponto de vista estético, esta combinação de volumes, num só complexo, miscigenou formatos e pormenores alusivos ao processo construtivo residencial, escolar e religioso do nacionalista “Estado Novo” português. Aqui, numa vertente pessoalizada e regionalizada. Apesar da construção exclusiva para o efeito museológico, de albergue e exibição do seu legado e acervo colecionista, no seu traçado o Edifício do MSML, à sua escala, expressa, de forma plástica e sob unidade pouco provável e comum (de pormenores arquitetónicos típicos de Escola, Capela e Residência), uma “retórica” de ideologia e exaltação dos valores nacionais coevos, através de um certo tradicionalismo pitoresco / “arcaizante”.

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Para além da “Figura de convite” que se evidencia na paisagem e antecipa as visitas ao Museu e Parque de St.ª M.ª de Lamas, a “imponente” escultura do Fundador sob pedestal pétreo (da autoria do célebre escultor da dita “Escola de   escultura do Porto”, Henrique Moreira (1890-1979), e inaugurada no dia 25/05/1972), das evocações de estatuária pétrea, civis ou sacras, individuais ou em grupo, ao culto, ao folclore, à filarmonia, à mitologia, à portugalidade e à etnografia, no Frontispício e nos Alçados do Museu, na sua maioria de acesso livre, o público, antecedendo a sua entrada no espaço interior, pode iniciar o seu contacto com raridades artísticas, históricas e colecionistas, de onde se destacam:

- Os diversos Mosaicos e Painéis de Azulejos de diferentes pintores da histórica Fábrica de Cerâmica do Carvalhinho de Vila Nova de Gaia (1841-1977), de iconografia local (filantropia de H. A.), e ainda religiosa, azuláceos ou polícromos, datáveis de 1951, 1957, 1958, 1964 e 1968;

- O Painel azulejar azuláceo, iconograficamente reprodutivo de uma das “Aparições de Maria, na Cova da Iria - Fátima, aos ditos três Pastorinhos”, datado de 1930, da autoria de J. Cândido da Silva J.or (segundo a   assinatura visível), pintor da histórica Fábrica de Cerâmica “F. Corticeira” da cidade do Porto;

- Dois Painéis de Azulejos polícromos, de iconografia Mariana e Cristológica da autoria de Rafael Valente da Oficina de Arte Religiosa - R. Conceição Fernandes, 38, V. N. de Gaia (tendo por base a inscrição visível);

- Um Alto-relevo de Gesso, ausente de referências de autoria e datação, incrustado no interior de uma das Arcadas do MSML, representativo do episódio hagiográfico e iconográfico de “São Jorge e o Dragão”;

- Um Conjunto escultórico, com sete registos de vulto, alusivo às “Aparições Marianas de Fátima, aos três Pastorinhos de 13 de maio de 1917” - Francisco Marto (1908-1919), Jacinta Marto (1910-1920) e Lúcia de Jesus (1907-2005) - acompanhados por três Ovelhas (uma delas esculpida em Mármore);

- E, por último, diversos Modelos / Esboços / Estudos de Gesso para relevos de estatuária pública, na sua maioria, da autoria de Henrique Moreira (de onde se evidenciam, entre outros, o Estudo, de escala inferior, para a escultura de corpo inteiro de Henrique Amorim, de 1972 ou anterior a 1972; e o esboço de iconografia similar à obra final, de 1945, do relevo “Descida do Espírito Santo sobre Maria” (acompanhada pelos Apóstolos), integrado no Altar-mor da Igreja da Ordem da Trindade da cidade do Porto).

Contactos

Largo da Igreja, 90, 
Parque de Santa Maria de Lamas
4535-412 Santa Maria de Lamas
Telefone: 22 744 74 68
Telemóvel: 91 664 76 85
E-mail: geral@museudelamas.pt

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