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Deste modo, perante as carências estruturais, assistenciais, educativas e culturais que Santa Maria de Lamas possuía nas primeiras décadas do séc. XX, Henrique Amorim, que padeceu com algumas dessas vicissitudes locais, talvez inspirado pelas leituras e pelos exemplos internos e externos que contemplava, dedicou-se, a partir do início dos anos (19)40 e até à sua morte, à promoção e ao financiamento de múltiplas melhorias em benefício do território e da população Lamacense.

Para benefício da sua Freguesia, a par de criar postos de trabalho através da gestão e prosperidade industrial, Henrique Amorim auxiliou os seus conterrâneos, providenciando a aquisição de elementos, a criação de valências e a construção de espaços para serviço e fruição pública. Assim sendo, a sua obra benemérita e filantrópica, originária de uma revolução urbanística, arquitetónica e artística, estende-se por áreas distintas como a Cultura, o Desporto e o Lazer; a Saúde, a Solidariedade e Ação social; a Educação; a Religiosidade; a Comunicação; a Melhoria da via pública; e a Conservação, renovação ou reconstrução de estruturas de utilidade comunitária.

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É também importante explicitar que grande parte da obra de Henrique Amorim foi acompanhada, de muito perto, por alguns amigos do seu círculo restrito e íntimo. Elementos que se revelaram preciosos para o seu aconselhamento e até auxílios práticos ou burocrático. Assim sendo, o “sonho” e a convicção de Henrique Amorim foi, praticamente na sua totalidade, concretizada com o apoio de dois grandes amigos: Henrique Veiga de Macedo (1914-2005), conterrâneo, Ministro das Corporações e Previdência Social do “Estado Novo”, entre 1955 a 1961 (com quem oficializou a implementação da Casa do Povo de Santa Maria de Lamas) e o Pároco local, José Ferreira, carinhosamente apelidado pelos paroquianos como o “Padre Zé”, seu companheiro perpétuo, mesmo após a morte, em Santa Maria de Lamas.

Através deste círculo íntimo e pela sua afeição aos valores do regime e ideologia em que viveu - o “Estado Novo” (1926-1974) - a sua obra atingiu, com aval da ditadura portuguesa, uma dimensão que, de outro modo, talvez não fosse possível de concretizar. Graças à sua ação, aos seus contactos, à sua influência, ao perfil altruísta e esforçado, a insalubre terra santamariana transformou-se num espaço quase idílico.

Motivado por leituras e viagens, Henrique Amorim desenvolveu um gosto particular pelo Colecionismo. Sobretudo um Colecionismo pautado pela aquisição de múltiplos objetos de diferentes cronologias, proveniências, géneros e quadrantes do conhecimento, desde as artes às ciências; inspirado nos espíritos humanistas dos séculos XV e XVI, originários dos “Gabinetes de Curiosidades ou Quartos das Maravilhas Europeus” que se estenderam “fisicamente” ao séc. XVII. Sem esquecer a influência e tentativa de reproduzir, sob a sua perspetiva, os conceitos, sobretudo oitocentistas (séc. XIX), de “Museu ecléctico”, “Caixa de Tesouros” e até de um certo “Bricabraque português” da viragem de centúrias de XIX para XX.

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Recolhendo um acervo ímpar, depressa resolveu partilhá-lo com a comunidade. Nos seus projetos para os melhoramentos da Freguesia, em virtude do crescimento vigoroso da sua coleção, a ideia de edificar um espaço físico, de raiz, para a exclusividade museológica e exibição destes objetos tornou-se prioritária. Nascia assim, em plenos anos (19)50, e sob o título primitivo de “Domus Áurea: Arquivo de Fragmentos de Arte”, o projeto que culminou no atual Museu de Santa Maria de Lamas (que Henrique Amorim acompanhou, quase em permanência, até à sua morte). Doado pelo próprio à Casa do Povo de Santa Maria de Lamas, em termos de espólio e edifício, através de um registo datado de 1959. Possivelmente “inaugurado”, com a planta final de 16 salas, em 1968 e constantemente “apetrechado” com novos elementos até 1977, este espaço elevou culturalmente, pela sua singularidade, o legado de Henrique Alves Amorim em prol da sua geografia e comunidade “amadas”.

Iniciado a partir das suas primeiras incursões no mercado artístico e colecionista, realizadas entre 1950 a 1953 - com a aquisição de grande parte da sua vasta coleção de Arte Sacra - o Museu, aberto à fruição da comunidade, refletiu a intelectualidade, o culto pessoal, os gostos, a excentricidade e o próprio pensamento político, social, profissional e cultural do seu Fundador. Aqui, sozinho, acompanhado pelo seu círculo íntimo, ou recebendo visitantes e amigos ilustres, Henrique Amorim passou grande parte dos seus últimos 27 anos de vida; possivelmente entre 1950 e 1977, o ano em que viria a falecer na sua “terra amada” no dia 20 de fevereiro, antes mesmo de completar 75 anos de idade.

Contactos

Largo da Igreja, 90, 
Parque de Santa Maria de Lamas
4535-412 Santa Maria de Lamas
Telefone: 22 744 74 68
Telemóvel: 91 664 76 85
E-mail: geral@museudelamas.pt

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